sexta-feira, 1 de junho de 2012

“Websérie Naturalistas do Século XXI – do açaí a lesma e cupins”

A primeira websérie de divulgação científica da Amazônia apresenta histórias de participantes do Prêmio Márcio Ayres para demonstrar aos jovens que investigar a biodiversidade da região é uma aventura prazerosa e transformadora

Vdeos_feitos_por_Denner_em_Igarap-Miri_foram_usados_no_7_episdioAgência Museu Goeldi - Qual a importância do açaí, dos cupins ou do muco de lesmas? A diversidade de experiências percebidas na relação entre as populações e a natureza amazônica se tornou objeto de pesquisa para os estudantes paraenses. Três jovens pesquisadores - Denner Ferreira, Raimundo Oliveira e Wescley Pereira - investigaram a biodiversidade amazônica e levaram para suas vidas o Prêmio José Márcio Ayres Para Jovens Naturalistas - PJMA. As histórias dos 3 rapazes são contadas nos últimos episódios da websérie “Naturalistas do Século XXI”, e serão lançados no dia 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, durante a Pororoca da Biodiversidade Amazônica.
Novos episódios, mais histórias - Em 2003, surgia o PJMA e com ele um estímulo para a iniciação científica nas escolas. No Acará (PA) ocorreu uma ampla mobilização envolvendo Prêmio, as escolas e a Secretaria de Educação, resultando na participação de vários trabalhos do município e a vitória dos então estudantes Joel Rodrigues e Raimundo Oliveira. Com o trabalho sobre os danos causados pelos cupins nas residências do Acará, Raimundo levou o 1º lugar do Ensino Fundamental e descobriu novos horizontes, na biodiversidade, na ciência e definiu um rumo para sua vida.
O episódio “Entendendo o invasor – os cupins do Acará” mostra o trabalho de Raimundo, que fez um levantamento das moradias afetadas em três bairros – o primeiro localizado ao centro da cidade, o segundo em uma área intermediária e o terceiro em uma área afastada do centro. No decorrer da pesquisa, identificou duas espécies (Nasutitermes surinamensis e Termes fatalis) e compreendeu uma causa da infestação: com a retirada da floresta, os cupins migraram para as residências. A trajetória de Raimundo não foi apenas a de uma vitória pessoal, mas a de um município inteiro.
Uma viagem com a família ao município de Igarapé-Miri (PA) fez surgir em Denner Ferreira a curiosidade de investigar o consumo de açaí. O estudante percebeu como a fruta era um elemento essencial na alimentação da comunidade que visitou e, a partir do que viu, experimentou e pesquisou, construiu o trabalho que lhe conferiu o 3º lugar do ensino fundamental na 4ª edição do PJMA. O websode “Fruto nosso de cada dia – o açaí em Igarapé-Miri” conta a pesquisa que Denner realizou, por meio de questionários com famílias locais. O estudo enfatiza a importância cultural do açaí para a população do município.
A_participao_de_Wescley__contada_em_um_vdeo_interativo
A história de Wescley Pereira é um pouco diferente: o estudante se empenhou e obteve grandes vitórias em três edições do PJMA. Em sua primeira participação, na 2ª edição, ainda no 6º ano do Ensino Fundamental, observou o comportamento do macaco coatá-da-testa-branca (Ateles marginatus) em cativeiro no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. A investigação, realizada em grupo com Bruno Rodrigues e Laura Oliveira, concluiu que, em cativeiro, a espécie fica mais suscetível a doenças e diminui a sua capacidade reprodutiva e variabilidade genética. O grupo não foi vencedor, mas recebeu Menção Honrosa pelo trabalho.
Já em sua segunda participação no PJMA, Wescley obteve a 2ª colocação na categoria Ensino Fundamental. Seu trabalho foi sobre as propriedades nutricionais e medicinais da fruta araçá-boi (Eugenia stipitata), que contém vitaminas A, B e C, além de carboidratos e proteínas. Mas foi sua terceira participação que deu o que falar: o trabalho sobre as propriedades dermatológicas do muco de lesma (Limax cinerens) rendeu não apenas o 2º lugar na categoria Ensino Médio, mas também a repercussão em jornais em nível nacional. Ao escutar o relato de sua avó, Wescley foi acompanhar o tratamento da pele de senhoras de uma comunidade de Mosqueiro com muco de lesma. É com esse trabalho que Wescley também participa de um stand da Pororoca da Biodiversidade, apresentando os “Atributos dermatológicos do muco da lesma aplicado em seres humanos”.
O websode “Três etapas de uma busca – o perfil do jovem naturalista” faz uma apresentação de Wescley, o perfil de um jovem naturalista que se encantou com a ciência e com a biodiversidade amazônica, fazendo disso seu objetivo profissional. Atualmente, ele cursa Medicina e deseja trabalhar com etnociência. O episódio traz também um formato interativo, convidando o usuário a optar qual dos três trabalhos de Wescley quer assistir.
Websérie Naturalistas do Século XXI - É uma produção do Móvel – Laboratório Multimídia de Comunicação Pública da Ciência do Museu Goeldi. Dividida em 9 episódios, a série resgata a trajetória de vencedores do Prêmio Márcio Ayres. Você pode conferir os episódios anteriores na página do Museu Goeldi no Youtube.
A_histria_do_acaraense_Raimundo_encerra_a_websrie

Em “Um prêmio em quatro edições”, você conhece a história do Prêmio Márcio Ayres e dos jovens naturalistas personagens da websérie; no segundo episódio “Uma amiga injustiçada – a vida da coruja Suindara em Belém”, Marcos Cruz conta como o interesse pelas corujas mudou seu olhar sobre a natureza, desmitificando a lenda Rasga-Mortalha. No terceiro websode, “Um olhar além – as árvores da Praça Batista Campos”, Mariana Galuppo revela quais são as espécies arbóreas de uma das praças mais belas do Brasil. Em “Descobrindo a flora amazônica – as pteridófitas do Parque do Utinga”, Rita dos Santos apresenta uma nova ocorrência de planta encontrada durante a pesquisa para o Prêmio Márcio Ayres. O quinto, “Conhecimento sob nossos pés - as formigas do Curió-Utinga” traz Erick Santos, Felipe França e Vítor Leitão contando o seu estudo de identificação de formigas na Praça das Castanheiras, na região metropolitana. Em “Garças da Batista Campos – da praça para a cidade”, Kauê Machado explica como realizou seu estudo comportamental e de diversidade de garças encontradas na Praça Batista Campos, ao centro de Belém.

PJMA –
Naturalistas eram os estudiosos que se aventuravam em regiões desconhecidas, observando e descrevendo a fauna, a flora, as populações residentes e o meio ambiente que seus sentidos captavam. É esse espírito de curiosidade, aventura e olhar crítico que o Prêmio José Márcio Ayres busca desenvolver em jovens escolares. Criado em 2003, em uma parceria entre o Museu Goeldi e a CI Brasil, o PJMA realiza sua quinta edição com o apoio do projeto Escola da Biodiversidade Amazônica – Ebio, subprojeto do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia. O Prêmio incentiva estudantes de Ensino Fundamental e Ensino Médio a inscreverem trabalhos científicos sobre o tema biodiversidade, com o objetivo de ampliar a divulgação e a discussão deste assunto nas escolas da rede pública e privada. As inscrições vão até 20/08/12. O Prêmio tem apoio da Funtelpa e da Secretária de Educação do Pará. Mais informações no site do Prêmio e pelo e-mail premio@museu-goeldi.brm prêmio em quatro edições”, você conhece a história do Prêmio Márcio Ayres e dos jovens naturalistas personagens da websérie; no segundo episódio “Uma amiga injustiçada – a vida da coruja Suindara em Belém”, Marcos Cruz conta como o interesse pelas corujas mudou seu olhar sobre a natureza, desmitificando a lenda Rasga-Mortalha. No terceiro websode, “Um olhar além – as árvores da Praça Batista Campos”, Mariana Galuppo revela quais são as espécies arbóreas de uma das praças mais belas do Brasil. Em “Descobrindo a flora amazônica – as pteridófitas do Parque do Utinga”, Rita dos Santos apresenta uma nova ocorrência de planta encontrada durante a pesquisa para o Prêmio Márcio Ayres. O quinto, “Conhecimento sob nossos pés - as formigas do Curió-Utinga” traz Erick Santos, Felipe França e Vítor Leitão contando o seu estudo de identificação de formigas na Praça das Castanheiras, na região metropolitana. Em “Garças da Batista Campos – da praça para a cidade”, Kauê Machado explica como realizou seu estudo comportamental e de diversidade de garças encontradas na Praça Batista Campos, ao centro de Belém.
Pororoca da Biodiversidade – No Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, o PJMA, o Museu Goeldi e a Escola da Biodiversidade Amazônica (EBio/INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia) promovem a Pororoca da Biodiversidade Amazônica no Parque Zoobotânico, com o tema “Conheça os bastidores da ciência”. Trata-se de uma mostra diversificada de projetos, métodos e ferramentas de pesquisa sobre a diversidade biológica da Amazônia e sua relação com as culturais regionais. A programação reúne 20 stands, apresentando as pesquisas desenvolvidas pela Zoologia, Botânica, Ciências Humanas e Ciências da Terra e Ecologia do Museu Goeldi, por vencedores do PJMA e pelas equipes de educação do Museu Goeldi e da Universidade do Estado do Pará. Além disso, haverá mostras de vídeos científicos e ambientais, uma Trilha de Observação de Insetos e uma Oficina sobre Ciência.
Serviço: Pororoca da Biodiversidade Amazônica, dia 5 de junho a partir das 9h no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Texto: Luena Barros

2 comentários:

  1. Obs.: Não foi a espécie Lepisma saccharina utilizada no trabalho da lesma, e sim a Limax cinerens.

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